O Brasil apresentou na Feira de Hannover uma solução de biocombustível que permite a redução da emissão de gases do efeito estufa e efetiva um caminho para transição energética. A solução chega no momento certo, quando o país aguarda a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, que ocorre no próximo dia primeiro de maio.
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo consolida uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo um PIB de US$ 22,4 trilhões e um mercado de cerca de 718 milhões de pessoas. A escolha pela cooperação, conforme enfatizou o presidente Lula, durante a abertura da Feira de Hannover, envia uma mensagem clara: o caminho para o desenvolvimento sustentável passa pela integração.
Mais comércio e mais investimentos significam mais empregos, renda e oportunidades dos dois lados do Atlântico. Ao ampliar a integração produtiva, as cadeias produtivas se fortalecem e, consequentemente, ganham os pequenos negócios, que representam cerca de 95% das empresas brasileiras. Há, ainda, inúmeras complementaridades entre as duas regiões. O Brasil, por exemplo, pode desempenhar um papel decisivo ao contribuir para a redução de custos energéticos e para a descarbonização da indústria europeia, especialmente a partir de sua matriz energética mais limpa.
Esse novo momento ganhou visibilidade concreta na Feira de Hannover, onde o Brasil ocupa posição de destaque como país parceiro. O país se apresenta como protagonista da economia verde e da transição energética, demonstrando ao mundo sua capacidade de competir em escala global.
No Sebrae, entendemos que esse protagonismo só se sustenta com a plena inclusão das micro e pequenas empresas. São elas que dão capilaridade ao crescimento, que inovam com agilidade e que conectam desenvolvimento econômico à realidade dos territórios. Na COP30, já evidenciamos a força desses empreendedores na economia verde. Agora, em Hannover, foi possível avançar ainda mais, apoiando 190 startups e pequenos negócios que apresentam soluções em indústria 4.0, inteligência artificial, sustentabilidade e transformação digital.
Essas empresas traduzem um Brasil que não apenas acompanha as transformações globais, mas ajuda a liderá-las. Desenvolvem tecnologias para eficiência energética, automação, digitalização industrial e gestão inteligente, áreas essenciais para um mundo que busca produtividade aliada à responsabilidade ambiental. São soluções que dialogam diretamente com os desafios globais e reforçam a imagem do país como parceiro estratégico.
Nada disso acontece por acaso. Trata-se de um esforço articulado entre instituições como o Sebrae e a ApexBrasil, que têm trabalhado para preparar nossas micro e pequenas empresas para competir internacionalmente. Iniciativas como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) ampliam o acesso a mercados e transformam potencial em resultados concretos.
Os números confirmam essa trajetória. Em 2025, o Brasil se consolidou como o quarto maior destino de investimento estrangeiro direto no mundo, além de ampliar significativamente sua presença internacional com a abertura de novos mercados. Esses indicadores refletem um ativo essencial: a confiança.
E é justamente essa confiança que precisamos transformar em oportunidades para todos. O acordo entre Mercosul e União Europeia, aliado à presença estratégica em fóruns globais como a Feira de Hannover, abre uma janela inédita para que as micro e pequenas empresas brasileiras avancem além das fronteiras. O nosso papel, no Sebrae, é garantir que estejam preparadas para esse salto, conectando, qualificando e impulsionando empreendedores.
O Brasil é parte ativa da construção de uma nova economia — mais verde, mais inovadora e mais inclusiva. E são os pequenos negócios que, cada vez mais, assumem o protagonismo dessa transformação.
